Banda Magníficos lança CD “TOUR 2016”. Nós já ouvimos e analisamos o trabalho pra você!

A Banda Magníficos tem passado por mudanças complexas ao longo dos últimos 15 meses. A entrada e saída de cantores e lançamentos consecutivos tem sido o grande foco a respeito da discussão a respeito do futuro do grupo de Monteiro, que tem tentado a todo custo reagir ao desfalque da sua voz mais clássica, Walkyria Santos, no quadro da empresa e no coração do forrozeiro. O grupo que não conta mais com Gui Torres, Renato e Neto Fallaschi em seu quadro, tem como frente atual a veterana Samya Maia, uma das maiores revelações dos últimos tempos que é  Adma Andrade e a nova aposta, Fernando Frajola.
Abandonando praticamente todas as inéditas dos últimos meses (dentre elas a super bem aceita Espaços e Vazios, o single anterior Greve de Amor e o arrocha Deixe esse cara), o novo CD trás 3 inéditas e é a melhor reação da Banda Magníficos depois da saída de Walkyria Santos.
Dentre as três inéditas, a melhor e mais bonita das canções é “Você sou eu, eu sou você” um arrocha na voz de Adma. Destaque para a voz suave e o jeito natural de cantar dela, com suavidade e sem trejeitos que copiam outros artistas. Uma pena não ser em forró genuíno e não ter os mesmos arranjos de arrocha com sanfona que estamos acostumados no “padrão magníficos”. Fico mais abolerado porém ainda muito tocante
Nós já comentamos sobre a música de trabalho “Assim sou eu sem você” em outra oportunidade mas fica registrada a nossa sensação de uma música boa que poderia ter sido mais forrozeira e que entrete o ouvinte. A canção ganhará um clipe com Samya Maia em breve e pode agregar novos ares ao hit, que ainda não grudou tanto no ouvido do público mas que pode cair no gosto das pessoas e entrar no repertório de outras bandas.
O novo contratado Fernando Frajola chega ao grupo de Monteiro fazendo bonito na maioria dos clássicos do repertório e seu jeito de cantar cheio de talento ganhará mais a cara da Magníficos com o tempo. A escolha dele parece ter sido sábia e abre possibilidade para muitas novidades e trabalhos futuros. Frajola se apresenta ao forrozeiro e aos fãs com a nova “Três da madrugada”, que tem a letra bonita e muita sanfona mas com uma mudança perceptível nos arranjos do grupo para se adequar as novas tendências e, como toda mudança, acaba gerando estranhamento e deixando a canção morna a primeiro momento. A faixa introduz bem o novo cantor e merece ser tocada ao vivo para o público curtir.
Os arranjos com vanerão e sertanejo que fogem da batida tradicional que consagrou a banda são nossa maior decepção em quase todas as faixas. A Magníficos tem/teve o melhor uso de metais da história do cenário forrozeiro, numa linha melódica linda e que dificilmente foi imitada ou superada ao longo desses mais de 20 anos e isso é digno de aplausos. É compreensível que a exigência do mercado atual se reflita na pressão das agências que vendem seus shows (leia-se Luan Promoções) em se aproximar do senso comum e mais compreensível ainda ver os líderes do grupo querendo lutar contra isso mas conciliar todos os lados e interesses, porém alguma coisa nessa conta não fecha. A exuberância dos arranjos originais ou as versões adaptadas dos DVDs e shows ao vivo foi suprimida em função do avaneiramento da batida e o assertanejamento dos vocais e isso pode agradar os possíveis novos fãs porém causa estranhamento nos seguidores mais antigos ou provoca alguma ressalva nos fãs mais leais (que de tanto ouvir e amar passam por cima de detalhes importantes). O esforço em seguir com qualidade é notório, o caminho escolhido nos deixa em dúvida sobre a identidade.
Um ponto positivo a ser destacado é o repertório “das antigas” renovado, atendendo aos pedidos de fãs, com músicas que há anos não entravam em shows e CDs, pérolas do passado como Arrebenta, Vá embora, Indefeso e De bandeja voltaram ao projeto “TOUR 2016” e vão fazer bonito ao vivo . Vale chamar atenção novamente ao desempenho de Adma que tem a responsabilidade de cantar músicas muito grandes para o próprio forró e faz com maestria, a estabilidade de Samya e o jeito seguro de Frajola.
A produção musical optou por dividir a sequência de canções em pout pourri em que a execução de algumas músicas acabam ficando  rápidas demais. Não conseguimos entender exatamente o motivo do álbum ter apenas 13 faixas, que podiam serem divididas melhor, mas uma triste consequência disso é que algumas combinações entre as letras não fazem tanto sentido e tiram o brilho de algumas como por exemplo:
Você nunca me amou + Amor errado + Seu  amor não vale um real (perceba o declínio de qualidade: a beleza de  “você nunca me amou”, sucesso entre as bandas de vanerão que se une a “amor errado” gravada originalmente com participação de Wesley Safadão e a música “seu amor não vale um real”, que gravada com essa batida nova da Magníficos parece ainda mais a temática da música da Márcia Felippe “aqui oh pro meu ex”)
OU
Tentando me evitar + Hoje tem balada + Vá embora + Juro eu tentei (dois clássicos românticos como a primeira e a terceira música não combinam em nada intercaladas com “hoje tem balada” que rapidamente acaba, já o final com o retorno de Juro eu tentei salva a faixa, que se fosse dividida funcionaria melhor)
O álbum é um recomeço e nitidamente apresenta uma nova Magníficos ao público. Nova estratégia de divulgação, possível novo show, novo clipe confirmado e um DVD que precisa sair do papel. Não temos dúvida que se trata de uma linguagem diferenciada pra cativar o novo público e manter a fidelidade de quem já acompanha. A tour 2016 está só começando e o primeiro passo para entender o que ela será é ouvindo e baixando o cd!
Nota: 👍 👍 👍😐😐

Pontos altos:  volta de clássicos ao repertório, presença de faixas inéditas e anúncio de novidades aos fãs
Pontos fracos: número pequeno de faixas no CD, pout pourri rápidos com músicas que as vezes não funcionam juntas e arranjos que fogem da essência da Magníficos, poucas inéditas

FONTE: PORTAL FORRO
Compartilhar no Google Plus
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial