Jorge de Altinho lança CD que valoriza o forró pé de serra

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A história do forró tem um rei e muitos súditos. Alguns deles fazem questão de manter o legado que Luiz Gonzaga (1912- 1989) iniciou em 1945 quando lançou seu primeiro disco. Um dos mais conhecidos é o cantor e compositor pernambucano Jorge de Altinho, 63 anos, que lança agora seu 41º álbum, intitulado Nativo. Com 12 faixas, o trabalho tem 70 mil cópias encartadas no CORREIO de hoje.

“Essa promoção é uma retomada na Bahia. Porque já viajei muito por essa Bahia. Depois, passei um tempão fazendo a região de cá, até o Maranhão, e em seguida passei um tempo em São Paulo. Voltei pro Nordeste e estou querendo retomar essa relação com a Bahia, um estado muito aberto à cultura. Aliás, eu acho que erram o nome, porque deveria ser Bahia Cultura”, brinca.
No repertório novo, apenas duas canções não são inéditas: Linda e Luiz, Sertão, Saudade. A primeira ele escolheu para homenagear as mulheres. “Gravei essa música bem acústica que, na verdade, é a proposta do disco todo”, explica. E a segunda é uma ode ao amigo e ídolo. “Eu tinha gravado um DVD e nele tinha essa música Luiz, Sertão, Saudade, que fiz em homenagem a ele. Ela estava no estilo country, tipo Bob Dylan, mas para esse disco eu disse: vou regravar com a cara dele, com os instrumentos que ele usava, a sanfona, o triângulo e a zabumba”, conta.
Tradição
Ao longo do álbum, em faixas como Filho de Cariri, Abençoado (Minha Maria), Nativo – uma instrumental tocada pelo sanfoneiro pernambucano Luizinho, batizado por Jorge de Luizinho de Serra, por ser de Serra Talhada–, além de Briga à Toa, Nunca Mais, Apagando Fogo, Como eu lhe Quero, O Começo e o Final, Que Pena, Assim Sou eu e o Seu Olhar, é possível perceber o resgate do xote, do forró pé de serra, do samba de latada ou samba de matuto. Todas embaladas com os principais elementos do tradicional ritmo nordestino: o triângulo, a zabumba e a sanfona.

“Ultimamente, as pessoas têm dançado muito separado, nada contra, mas o xote foi feito para dançar juntinho”, avalia. Segundo ele, sua preocupação com a nova geração do forró é, justamente, a perda das referências. “O ritmo é contagiante, tem seu público, tem uma sanfona tocando, mas não é o forró que nós seguimos, não é o forró gonzaguiano que propomos dar continuidade”, pontua.
Quando começou sua carreira, Jorge perseguia uma inovação no gênero. “Minha proposta, no começo, era um forró com letras e arranjos mais urbanos, porque eu tinha uma influência do meu ídolo Raul Seixas [1945-1989]. Em seguida, coloquei uma pitada dos metais de Tim Maia [1942- 1998], outro ídolo da adolescência”. De início, Gonzagão não gostou muito da ideia. “Conversei com o ‘véio’ e ele ficou meio desconfiado na época, porque para ele a música regional era intocável. Mas entendeu que eu não descaracterizava, que usava esses elementos sem tirar os instrumentos básicos”, afirma.
Jorge de Altinho começou escrevendo músicas para Luiz Gonzaga e para o Trio Nordestino, grupo responsável por transformar algumas canções suas em grandes sucessos. “Quem gravou a maioria das minhas músicas foi o Trio Nordestino, um trio baiano que tinha o cantor e sanfoneiro Lindú, o triangulista Cobrinha e o zabumbeiro Coroné. Eles levaram a música do Nordeste para o Sul. Foi graças a uma música que fiz pra eles, Petrolina, Juazeiro, que me chamaram para gravar meu primeiro disco”, lembra.
O disco, aliás, se tornou o primeiro no país a ser lançado sem capa. Lançado em 1982, Meu Cantar teve o vinil e a capa feitos em locais diferentes. Com isso, o vinil saiu antes da capa chegar às lojas. “Como o disco tinha dez músicas bem executadas, muita gente levou sem a capa e improvisou uma de cartolina”, recorda aos risos. “Naquela época, eles falaram que vendeu entre 58 e 60 mil discos sem capa”, completa orgulhoso.
Não é pra menos, a carreira lhe rendeu, além de sucesso, grandes amigos e parceiros musicais. Além de Luiz Gonzaga e o Trio Nordestino, Altinho também fez parceiras com Dominguinhos (1941-2013), Fagner, Alcione e Fafá de Belém, entre outros. “Teve um cara que fez uma música pra mim e me chamou um dia na casa dele. Disse que ia botar as violas na música e que era pra eu gravar: era o Zé Ramalho. A música é Alforria e só quem gravou fui eu”, rememora, feliz, o forrozeiro.
Fonte: Correio da Bahia
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